A SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA: AÇÕES E CONQUISTAS EM
ALEITAMENTO MATERNO
Departamento Científico de Aleitamento Materno*
* Elsa Regina Justo Giugliani (presidente) – RS; Roberto Diniz Vinagre (Vicepresidente)
– MT; Lucia Marina Abrantes Gueiros Samu (secretária) – ES; Carmen
silvia Martimbianco de Figueiredo – MS; Dione Alencar Simons – AL; Dolores
Fernandez Fernandez (BA); Feliciana Santos Pinheiro – MA; Hamilton Henrique
Robledo – SP; Hugo Issler – SP; José Dias Rego – RJ; Keyko Miyasaki Teruya –
SP; Sonia Maria Salviano Matos de Alencar - DF
Apesar de a espécie humana, por ter evoluído e se mantido 99,9% da sua
existência na terra amamentando os seus descendentes, estar geneticamente
programada para receber os benefícios do leite materno e do ato de amamentar, o
aleitamento materno deixou de ser um ato universal por influências socioculturais.
No século XX, em várias partes do mundo, incluindo o Brasil, houve um dramático
declínio das taxas de aleitamento materno até as décadas de 60 e 70, com tristes
implicações - desnutrição e alta mortalidade infantil em áreas menos
desenvolvidas. As conseqüências a longo prazo são ainda desconhecidas, pois
transformações genéticas não ocorrem com a rapidez de mudanças culturais.
Na década de 70, deu-se início ao movimento global de resgate à “cultura da
amamentação”, em resposta às denúncias contra o uso disseminado de leites
artificiais e ao surgimento de inúmeros trabalhos científicos mostrando a
superioridade do leite materno como fonte de alimento, de proteção contra
doenças e de afeto. As taxas de aleitamento materno no Brasil aumentaram
consideravelmente nas décadas de 80 e 90, em resposta a diversas ações de
promoção do aleitamento materno em todo o País. A mediana da duração do
aleitamento materno, que era de apenas 2,5 meses em 1975, passou a ser de 5,5
meses em 1989 e de 7 meses em 1996. A última pesquisa em nível nacional
realizada nas capitais brasileiras indicou uma mediana de duração de aleitamento
materno de 10 meses.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), através do Departamento Científico de
Aleitamento Materno, ex-Comitê de Aleitamento Materno, sempre esteve engajada
no movimento de resgate do aleitamento natural. Já no final dos anos 60, portanto
mais de uma década antes da implementação do Programa Nacional de Incentivo
ao Aleitamento Materno (PNIAM), em 1981, a SBP reuniu um pequeno grupo de
pediatras preocupados com as práticas alimentares das crianças pequenas da
época. Como resultado, foram publicadas as primeiras recomendações sobre
amamentação no Jornal de Pediatria.
A SBP e o aleitamento materno: retrospectiva
O Departamento Científico de Aleitamento Materno da SBP foi criado em 1980,
portanto nos primórdios do movimento de resgate à amamentação, com o nome
de Grupo de Incentivo ao Aleitamento Materno. Oficialmente o grupo era
composto por apenas 2 membros: o coordenador nacional (Dr. José Martins Filho)
e o coordenador para o Rio de Janeiro (Dr. José Dias Rego). Em 1982, o Grupo
de Incentivo ao Aleitamento Materno passa a se chamar Comitê de Aleitamento
Materno, sob a coordenação nacional do Dr. José Dias Rego. Em 1984, esse
Comitê, agora Comitê Científico de Aleitamento Materno, é ampliado, fazendo
parte dele 34 membros representando 18 estados, ainda sob a mesma
coordenação.
Na gestão 1986-1988 o Comitê Científico de Aleitamento Materno foi extinto, para
ser reativado em 1988 com 15 membros e sob a coordenação do incansável Dr.
Dias Rego. Em 1992, o número de membros do Comitê é reduzido a 12, agora
sob a coordenação da Dra. Vilneide Braga, de Pernambuco. O Dr. Joel Alves
Lamounier, de Minas Gerais, assume a presidência do Comitê de 1994 a 1998. É
nesse período que o Comitê Científico de Aleitamento Materno passa a se chamar
Departamento Científico de Aleitamento Materno. Junto com a mudança do nome
houve uma reformulação do regulamento de todos os Departamentos da SBP, que
passaram a ter as seguintes finalidades: promover estudos; normatizar; promover
reuniões, encontros, cursos; e assessorar a diretoria da SBP em assuntos da
abrangência dos Departamentos. Houve uma mudança na constituição dos
Departamentos, que passaram a ter um Núcleo Gerencial (presidente, vicepresidente
e secretário), um Conselho Científico formado por no máximo 11
membros e um Grupo de Membros Participantes, composto por um número
ilimitado de sócios da SBP. Os membros do Núcleo Gerencial e do Conselho
Científico não podem permanecer no Departamento por mais que duas gestões
sucessivas. Sendo assim, o Dr. Joel Lamonier, em 1988, foi substituído na
presidência do Departamento de Aleitamento Materno pela Dra. Sonia Maria
Salviano Matos de Alencar, do Distrito Federal, que permaneceu no cargo até
março de 2001. Desde então, a presidência vem sendo desempenhada pela Dra.
Elsa Regina Justo Giugliani, do Rio Grande do Sul.
Ações e conquistas
A SBP há mais de 3 décadas vêm se engajando no movimento pró-amamentação
no Brasil, sendo um dos pioneiros. Seria impossível relatar todas as ações e
conquistas na área de aleitamento materno, em parte pelo grande número de
ações e em parte por dificuldade em localizar os registros de todas as atividades.
Ao trabalho do Departamento Científico da SBP somam-se os trabalhos das
filiadas regionais. A seguir serão listadas algumas ações e conquistas do
Departamento Científico de Aleitamento Materno ao longo do tempo:
Apoio da SBP e participação ativa dos membros do Departamento Científico
de Aleitamento Materno em diversos eventos: encontros, cursos,
seminários, congressos, etc.;
1982-1984 – intensa mobilização de profissionais em todo o País, através das
filiadas nos estados;
1984-1985 - participação no Grupo Técnico Executivo de Incentivo ao Aleitamento
Materno do Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição, opinando nas
campanhas de incentivo ao aleitamento materno, na elaboração das normas de
alimentos para o desmame e da Norma Brasileira para Comercialização de
Alimentos para Lactentes, nas recomendações técnicas para o funcionamento dos
Bancos de Leite Humano, entre outros;,br>
1985– “Prêmio Zezinho Amigo do Peito” – em homenagem aos Drs. José Martins
Filho e José Dias Rego - para o melhor trabalho científico sobre aleitamento
materno apresentado no XXIV Congresso Brasileiro de Pediatria, em Fortaleza;
1986-1987– Campanha “Aleitamento Materno, Parto Normal: atos de amor” ,
motivada pelo fato de o Brasil ser campeão mundial de cesarianas;
1988 – “Prêmio Criança e Paz” conferido pelo UNICEF à SBP pelo destaque na
luta em defesa dos direitos da criança e do adolescente;
1992-1994 – Apoio à campanha Hospitais Amigo da Criança;
1998-2001
1-Atuação importante na “Semana Mundial da Amamentação”, atualmente
celebrada entre 1 e 7 de outubro. Todos os anos a SBP convida uma mulher de
expressão que esteja amamentando para ser a madrinha do Departamento
Científico de Aleitamento Materno. Em 1999 a escolhida foi Luiza Brunet, em 2000
Glória Pires e em 2001 Isabel Filardis. As madrinhas pousam amamentando para
a confecção folders e de cartazes que são distribuídos em todo o Brasil através
das filiadas;
2-Integração entre SBP e a Área de Saúde da Criança da Secretaria de Políticas
de Saúde do Ministério da Saúde nas seguintes ações, entre outras: Iniciativa
Hospital Amigo da Criança, Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos
para Lactentes, Método Mãe Canguru, Semana Mundial da Amamentação, Projeto
Carteiro Amigo e Projeto de Expansão da Rede de Bancos de Leite Humano;
3-Representação na Comissão Nacional de Bancos de Leite Humano do Ministério
da Saúde;
4-1999 - Concurso de Monografias sobre Aleitamento Materno entre os médicos
em processo de especialização em pediatria;
5-1999 - Concurso de Fotografia de Mulheres Amamentando para pediatras,
sócios da SBP;
6-1998 – Diploma entregue ao presidente da SBP pelo Ministério da Saúde como
reconhecimento aos esforços empreendidos pela SPB em prol da saúde das
crianças, e em especial em prol da amamentação;
7-2000 - Homenagem do representante do Ministério da Saúde ao presidente da
SBP, Dr. Lincoln Freire, na abertura I Congresso Internacional de Bancos de Leite
Humano, em Natal, pelos trabalhos desenvolvidos pela SBP na área de
aleitamento materno.
Em outubro de 2001, os membros do Departamento Científico de Aleitamento
Materno se reuniram no Rio de Janeiro para, entre outras coisas, elaborar um
plano de ação para a gestão 2001-2004. As metas para 2002 são:
1)Criação do Curso Itinerante de Atualização em Aleitamento Materno para
Pediatras, que deverá ser oferecido em todos os estados, através das filiadas da
SBP;
2)Resgate do Projeto Título de Especialista em Aleitamento Materno;
3)Elaboração de vídeo sobre aleitamento materno para sala de espera de clínicas
e consultórios, que poderá ser adquirido pelos pediatras sócios da SBP;
4)Elaboração de Folder sobre aleitamento materno dirigido às mães, que poderão
ser adquiridos pelos pediatras sócios da SBP e distribuídos entre a sua clientela;
5)Canal de comunicação direta com os pediatras e o público em geral através do
site da SBP.
A SBP tem uma tarefa social da mais alta relevância: a de promover a saúde da
criança brasileira. E neste contexto assume lugar de destaque a promoção, a
proteção e o apoio à amamentação. Muitas ações pró-amamentação e conquistas
vêm sendo vivenciadas ao longo dos últimos 30 anos. Há muito o que fazer ainda.
Precisamos envolver o maior número de pediatras neste movimento crescente de
conscientização da importância do aleitamento materno exclusivo nos primeiros 6
meses de vida e complementado até os 2 anos ou mais. Precisamos continuar
trabalhando em prol da universalização da prática do aleitamento materno.
Referências Bibliográficas:
Alencar SMSM, Dias Rego J. As Sociedades Médicas e o incentivo ao aleitamento
materno. In: Dias Rego J, ed. Aleitamento Materno. São Paulo: Atheneu; 2001.
P.409-20.
Carneiro G. Um compromisso com a esperança: História da Sociedade Brasileira
de Pediatria – 1910-2000.Rio de Janeiro: Expressão e Cultura; 2000.
Dra. Débora Christina Ribas D'Ávila
Ed. Life Town Cambui, rua dos Alecrins, 914, sala 408 , fone (19)99478-6060, Campinas, São Paulo, Brazil
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02/08/2011
31/01/2010
ANTIDEPRESSIVO, GESTAÇÃO E ALEITAMENTO
Uso de antidepressivos atrapalha o aleitamento materno.
O uso de drogas antidepressivas pode atrapalhar consideravelmente a amamentação, segundo estudo da Universidade de Cincinnati, nos EUA. De acordo com os especialistas, antidepressivos como a fluoxetina, a sertralina e paroxetina afetam o humor, as emoções e o sono, além de poderem ter um efeito na regulação da serotonina nos seios, colocando as mães sob maior risco de ter um atraso no estabelecimento de uma oferta completa de leite.
Em estudo observacional de 431 “mães de primeira viagem” no pós-parto, os pesquisadores descobriam que a média de tempo do início da lactação era de 85,8 horas pós-parto para as mulheres tratadas com antidepressivos, e de apenas 69,1 horas para aquelas que não tomavam esses medicamentos. E, segundo especialistas, a ativação secretória ocorrendo com mais de 72 horas após o parto é considerada atrasada.
Antidepressivos na gravidez e na amamentação: tomar ou não tomar?
Sabe-se que a gravidez pode não só desencadear, como agravar a depressão.
O risco do uso de antidepressivos na gravidez está ligado aos possíveis efeitos teratogênicos, isto é, de má-formação do feto. Além disso, há possibilidade de interferência no peso e no desenvolvimento do bebê.
Tomar remédio é um risco para o bebê. Porém, não tomar também pode prejudicar as gestantes: 70% das que abandonam o tratamento têm recaídas.
“Existe muito preconceito e, por isso, é mais fácil para um médico decidir tratar uma hipertensão ou bronquite do que a depressão na gravidez”, afirma o psiquiatra italiano Salvatore Di Salvo, diretor do Centro de Depressão, Ansiedade e Ataque de Pânico de Turim. “A tendência é sugerir que a paciente enfrente seu problema sozinha, com força de vontade e caráter. Mas esse conselho serve apenas para aumentar seu sentimento de culpa e inadequação”, completa.
Prevalência
Estima-se que 14% a 23% das mulheres podem ter sintomas de depressão durante a gravidez, e 10% delas desenvolverão a doença em seu nível mais grave, especialmente se houver suspensão da medicação enquanto se está tentando engravidar. E as chances de uma depressão pós-parto para quem já sofre da doença em sua forma crônica, segundo os especialistas, é de 15% a 20%.
“De modo geral, os antidepressivos não aumentam o risco de má-formação, que em situações normais é de 1% a 4%”, diz o psiquiatra Joel Rennó Jr., Coordenador Geral do Programa de Saúde Mental da Mulher (Pro-Mulher), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Por isso, ele defende que os remédios sejam receitados quando os benefícios superarem os riscos.
Rennó comenta que muitas vezes os sintomas das grávidas são subdiagnosticados. “Cansaço, fadiga excessiva, crises de choro - questões triviais em uma gestação comum - podem ser sinais não só da depressão, mas de outros transtornos. Se esses sinais não forem identificados, mais tarde se manifestarão de forma exuberante no pós-parto”, completa.
E o bebê?
Se tomar remédios pode ter efeitos indesejados, não tratar a depressão também pode ter consequências para o bebê . Por causa da doença, essa mãe, durante a gestação, pode ter impulsos suicidas, recusar-se a se alimentar corretamente, bem como ausentar-se das consultas do pré-natal, com severas consequências.
O psiquiatra italiano afirma que os estudos mostram que os possíveis efeitos dos remédios às crianças se resumem a leves sintomas motores, menor coordenação ou tremores, arrepios, hipoglicemia, icterícia e até dificuldade respiratória, que tendem a desaparecer espontaneamente em poucas semanas.
Remédios
Os antidepressivos mais usados entre as gestantes, atualmente, são os que atuam na serotonina, como a fluoxetina e a sertralina. “Há apenas uma exceção, a paroxetina, que tem sido relacionada à má-formação cardíaca. Fora isso, esses remédios são considerados seguros mesmo até a 12ª semana de gestação”, informa Rennó.
Durante a amamentação, “onde, reconhecidamente, o remédio é passado para o bebê, se a dose for mínima, os efeitos para ele também serão mínimos. Todavia, alguns médicos preferem indicar o aleitamento artificial, para preservar o bebê e também para não submeter a mãe a mais estresse”, conclui Di Salvo.
Custo-benefício
Segundo o psiquiatra David A. Kahn, do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Colúmbia, nos EUA, médicos devem seguir os seguintes critérios: “Se houve apenas um episódio e a futura mãe não apresenta sintomas no período de seis meses, a medicação pode ser suspensa antes da concepção. Para prevenir, a psicoterapia pode ser indicada”. “Mas se ela tiver um histórico de depressão severa, com múltiplos e prévios eventos, a recomendação é que ela continue com a medicação, mesmo durante a concepção. Se ela já está sendo medicada e engravida, o médico pode optar pela substituição do medicamento por algum cujos efeitos sejam mais conhecidos, e o tratamento deve seguir durante a gestação", continua. Há apenas uma situação em que ainda não há acordo: quando a paciente teve apenas um episódio, mas grave, de depressão.
O uso de drogas antidepressivas pode atrapalhar consideravelmente a amamentação, segundo estudo da Universidade de Cincinnati, nos EUA. De acordo com os especialistas, antidepressivos como a fluoxetina, a sertralina e paroxetina afetam o humor, as emoções e o sono, além de poderem ter um efeito na regulação da serotonina nos seios, colocando as mães sob maior risco de ter um atraso no estabelecimento de uma oferta completa de leite.
Em estudo observacional de 431 “mães de primeira viagem” no pós-parto, os pesquisadores descobriam que a média de tempo do início da lactação era de 85,8 horas pós-parto para as mulheres tratadas com antidepressivos, e de apenas 69,1 horas para aquelas que não tomavam esses medicamentos. E, segundo especialistas, a ativação secretória ocorrendo com mais de 72 horas após o parto é considerada atrasada.
Antidepressivos na gravidez e na amamentação: tomar ou não tomar?
Sabe-se que a gravidez pode não só desencadear, como agravar a depressão.
O risco do uso de antidepressivos na gravidez está ligado aos possíveis efeitos teratogênicos, isto é, de má-formação do feto. Além disso, há possibilidade de interferência no peso e no desenvolvimento do bebê.
Tomar remédio é um risco para o bebê. Porém, não tomar também pode prejudicar as gestantes: 70% das que abandonam o tratamento têm recaídas.
“Existe muito preconceito e, por isso, é mais fácil para um médico decidir tratar uma hipertensão ou bronquite do que a depressão na gravidez”, afirma o psiquiatra italiano Salvatore Di Salvo, diretor do Centro de Depressão, Ansiedade e Ataque de Pânico de Turim. “A tendência é sugerir que a paciente enfrente seu problema sozinha, com força de vontade e caráter. Mas esse conselho serve apenas para aumentar seu sentimento de culpa e inadequação”, completa.
Prevalência
Estima-se que 14% a 23% das mulheres podem ter sintomas de depressão durante a gravidez, e 10% delas desenvolverão a doença em seu nível mais grave, especialmente se houver suspensão da medicação enquanto se está tentando engravidar. E as chances de uma depressão pós-parto para quem já sofre da doença em sua forma crônica, segundo os especialistas, é de 15% a 20%.
“De modo geral, os antidepressivos não aumentam o risco de má-formação, que em situações normais é de 1% a 4%”, diz o psiquiatra Joel Rennó Jr., Coordenador Geral do Programa de Saúde Mental da Mulher (Pro-Mulher), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Por isso, ele defende que os remédios sejam receitados quando os benefícios superarem os riscos.
Rennó comenta que muitas vezes os sintomas das grávidas são subdiagnosticados. “Cansaço, fadiga excessiva, crises de choro - questões triviais em uma gestação comum - podem ser sinais não só da depressão, mas de outros transtornos. Se esses sinais não forem identificados, mais tarde se manifestarão de forma exuberante no pós-parto”, completa.
E o bebê?
Se tomar remédios pode ter efeitos indesejados, não tratar a depressão também pode ter consequências para o bebê . Por causa da doença, essa mãe, durante a gestação, pode ter impulsos suicidas, recusar-se a se alimentar corretamente, bem como ausentar-se das consultas do pré-natal, com severas consequências.
O psiquiatra italiano afirma que os estudos mostram que os possíveis efeitos dos remédios às crianças se resumem a leves sintomas motores, menor coordenação ou tremores, arrepios, hipoglicemia, icterícia e até dificuldade respiratória, que tendem a desaparecer espontaneamente em poucas semanas.
Remédios
Os antidepressivos mais usados entre as gestantes, atualmente, são os que atuam na serotonina, como a fluoxetina e a sertralina. “Há apenas uma exceção, a paroxetina, que tem sido relacionada à má-formação cardíaca. Fora isso, esses remédios são considerados seguros mesmo até a 12ª semana de gestação”, informa Rennó.
Durante a amamentação, “onde, reconhecidamente, o remédio é passado para o bebê, se a dose for mínima, os efeitos para ele também serão mínimos. Todavia, alguns médicos preferem indicar o aleitamento artificial, para preservar o bebê e também para não submeter a mãe a mais estresse”, conclui Di Salvo.
Custo-benefício
Segundo o psiquiatra David A. Kahn, do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Colúmbia, nos EUA, médicos devem seguir os seguintes critérios: “Se houve apenas um episódio e a futura mãe não apresenta sintomas no período de seis meses, a medicação pode ser suspensa antes da concepção. Para prevenir, a psicoterapia pode ser indicada”. “Mas se ela tiver um histórico de depressão severa, com múltiplos e prévios eventos, a recomendação é que ela continue com a medicação, mesmo durante a concepção. Se ela já está sendo medicada e engravida, o médico pode optar pela substituição do medicamento por algum cujos efeitos sejam mais conhecidos, e o tratamento deve seguir durante a gestação", continua. Há apenas uma situação em que ainda não há acordo: quando a paciente teve apenas um episódio, mas grave, de depressão.
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